Fábrica Iane é embargada por irregularidades que alteraram a cor da água das Três Lagoas

Fábrica Iane é embargada por irregularidades que alteraram a cor da água das Três Lagoas

A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) embargou, nesta quarta-feira (4), a fábrica Iane, durante uma operação de fiscalização no Distrito Industrial de João Pessoa. A medida foi aplicada à indústria após o descumprimento de condicionantes ambientais relacionadas ao lançamento de efluentes no sistema de drenagem pluvial, que desaguou no Parque das Três Lagoas e causou vermelhidão na água. A empresa também recebeu uma multa no valor de 300 UFRPB, o que corresponde, atualmente, a R$ 21.500.

A ação é um desdobramento das fiscalizações iniciadas em janeiro deste ano, após denúncia recebida pela autarquia, e tem como foco a apuração de reincidência de contaminação ambiental. A operação foi coordenada pela Sudema e contou com a participação da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) e da Secretaria Municipal de Infraestrutura de João Pessoa (Seinfra).

Durante a fiscalização, equipes técnicas realizaram novas coletas de amostras nas lagoas e na rede de drenagem pluvial, tendo sido identificada a presença de elementos químicos no corpo hídrico. Os trabalhos também incluíram a inspeção das galerias pluviais ao longo da Rua Agricultor Almirando Luís da Silva, nas proximidades da área impactada.

As investigações tiveram início no dia 15 de janeiro, quando a Coordenadoria de Medições Ambientais (CMA) da Sudema esteve no local para a coleta de amostras, tanto na lagoa quanto na drenagem pluvial. Os resultados preliminares dessas análises orientaram as ações da nova etapa da operação.

A apuração aponta para um caso de reincidência. Há cerca de dois anos, a Sudema realizou fiscalização semelhante na mesma área, ocasião em que foi observada alteração na coloração da lagoa, com aspecto avermelhado. Na época, embora tenha sido identificado que a empresa realizava lançamentos no sistema de drenagem, não foi possível estabelecer nexo direto entre o efluente e o impacto observado no corpo hídrico.

Na fiscalização realizada nesta quarta-feira, a equipe técnica constatou o lançamento de efluente com coloração semelhante à registrada na lagoa, além da presença de indícios de oleosidade. Durante a inspeção nas instalações da indústria, foi identificada uma ligação clandestina, com lançamento de efluente sem tratamento diretamente na rede de drenagem pluvial, contribuindo para a contaminação das lagoas. O material apresenta indícios de alta carga orgânica e elevada oleosidade.

A empresa é recém-licenciada e, no processo de licenciamento ambiental, assumiu o compromisso de não realizar lançamentos na rede de drenagem pluvial, devendo promover o esgotamento periódico dos efluentes gerados. O descumprimento dessas condicionantes motivou a adoção das medidas administrativas cabíveis, incluindo o embargo da atividade.

A Sudema esclareceu que, após a conclusão das análises técnicas das amostras coletadas e da avaliação das irregularidades identificadas no local, outras medidas administrativas poderão ser adotadas, incluindo a aplicação de novas multas ou o cancelamento da licença de operação, conforme previsto na legislação ambiental.

A operação contou com a presença do superintendente da Sudema, Marcelo Cavalcanti; da secretária de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Rafaela Camaraense; e da vereadora Jailma Carvalho, autora da denúncia que motivou a intensificação das ações de fiscalização no local.

A Sudema informou que seguirá conduzindo as investigações técnicas necessárias, em articulação com os órgãos parceiros, com o objetivo de cessar os lançamentos irregulares, responsabilizar os envolvidos e assegurar a proteção do meio ambiente e dos recursos hídricos da região.

Da Redação com ParaibaJá